Ganhei agora no Natal um IPad. Sem dúvida um grande presente mas o motivo de abordar esse assunto aqui, refere-se ao impacto que o maravilhoso aparelho provocou em mim e nos meus prováveis hábitos futuros. Com tantas previsões sobre e substituição da leitura do impresso pela leitura em tablets ou semelhantes, minhas primeiras impressões foram bastante positivas. Como sou iniciado em tecnologia é óbvio que minha aceitação foi mais fácil do que para os não iniciados, mas alguns pontos merecem atenção.
1. Tempo de baixar o exemplar do jornal: No caso do Globo, em minha rede wireless doméstica, foi de aproximadamente 8 minutos. Nada mal, mas fica aquela impressão tal qual quando se passa um fax, é lento.....Mas mesmo assim, ponto para o IPad
2. Tempo para baixar a edição de uma revista quinzenal que assino no impresso: 55 minutos, na mesma rede doméstica. É muito lento, mas vou trocar a assinatura da revista impressa pela do IPad, pois acho que tem tudo a ver para a leitura e portabilidade...Ponto para o o IPad.
3. Manuseio do jornal no IPad: é questão de costume, mas acho que muitos vão ter alguma dificuldade em manusear o jornal no tablet. No caso do Globo, eles usam o software Digital Pages, que facilita bastante o "folhear" das páginas, mas mesmo com as facilidades de aumentar e diminuir o texto e correr o texto para cima, baixo, esquerda e direita, imagino que possa haver resitência de alguns para ler o jornal dessa forma. Com a continuidade da experiência talvez a percepção mude.
4. Manuseio da revista no IPad: perfeito,sem nenhum problema. Mais um ponto para o IPad.
5. Imagino que para a leitura de livros também seja bem apropriado, apesar de ter lido que os e-readers, como o Kindle da Amazon, funcionam melhor para isso do que o IPad.
Na pesquisa junto à loja ITunes da Apple para baixar as edições do Globo e da revista que assino, vi que já existem mais de 1.600 produtos cadastrados, a maioria gratis ou com preço bastante acessível. Isso mostra que a adesão ao IPad pelas editoras de jornais e revistas já é uma realidade.
Resumindo, acho que a mídia impressa vai ter uma boa participação de leitores também no digital, em muito breve. Quanto a questão do preço do aparelho no Brasil, que ainda é relativamente caro, com o tempo e a adesão contínua, pode-se chegar a preços atrativos e as editoras de jornais e revistas poderiam oferecer o tablet em comodato para quem assinar o produto digital por um período mais longo (2 anos?), agilizando dessa forma a aceitação do tablet para a leitura e demais atividades que se podem fazer com esse aparelho.
O novo modelo de negócios a ser adotado para que as vendas de assinaturas e anúncios nessa plataforma pague a conta das Editoras é outra história.
Com certeza a próxima geração de leitores vai ler os atuais produtos impressos nos tablets...
Augusto Campos
Poderá a internet e, mais recentemente, o lançamento do iPad, de alguma forma, prejudicar o produto impresso?
Este final de ano foi marcado pelo lançamento, no Brasil, de uma novidade tecnológica ansiosamente aguardada, o iPad. E tenho notado, em meus contatos com os gráficos, a inquietação constante: “poderá a internet e, mais recentemente, o lançamento do iPad, de alguma forma, prejudicar o produto impresso?”
No passado, sempre que uma nova tecnologia era desenvolvida, os pessimistas alardeavam o pior. Foi assim com a chegada da televisão, que iria liquidar o rádio e o cinema - e os dois estão aí, mais fortes e dinâmicos do que nunca. Ambos os veículos souberam se reinventar, trazendo ao público aquele “mais” que torna um produto especialmente atrativo.
No caso do cinema, grandes sucessos de bilheteria sucedem-se temporada após temporada. “Avatar”, lançado no começo deste ano, já arrecadou mais de dois bilhões de dólares. Nada mau para uma mídia destinada a “morrer”... James Cameron soube utilizar a tecnologia, no caso a filmagem em “3D”, para levar aos cinemas multidões de espectadores que se encantaram com a criatividade do diretor.
Nos livros, títulos da série Harry Potter e Crepúsculo vendem milhões de exemplares para um público adolescente que já cresceu em um mundo digital. Prova de que, com criatividade e talento, o consumidor sempre é fisgado e lança-se com prazer ao que sente que acrescenta algo à sua vida.
As novidades, como o caso do iPad, podem até assustar no momento em que são lançadas, pois vêm com todo aparato da mídia mundial. Depois que a poeira baixa, percebemos que são apenas mais um veículo para os leitores, e que, como qualquer produto, encontrará usuários, sem, contudo, ameaçar os setores já existentes.
Outra preocupação pertinente no tocante ao avanço das mídias digitais no campo da informação diz respeito à qualidade dos conteúdos produzidos e armazenados. Megaempresas digitais, como a Apple e o Google, cresceram tanto, e com tantas ramificações, que não seria exagero afirmar que nos tornamos quase reféns desses conglomerados, e que estes podem, se assim o desejarem, manipular as informações de acordo com seus interesses. Outra desvantagem é que, ao consultar sites de busca como o Google e o Yahoo, a informação flui como uma cascata, sem qualquer filtro.
É aí que entra a credibilidade do produto impresso. Ao comprar uma revista ou um jornal, por exemplo, temos a certeza de que ele foi feito por profissionais experientes e preparados. Sabemos, de antemão, que as informações ali reunidas passaram por um crivo que as tornam mais confiáveis. E o consumidor busca sempre isso: credibilidade e confiança.
O que tenho sempre recomendado é que façam o que sempre fizeram – sobretudo aqueles que conseguiram êxito em seus empreendimentos: arregacem as mangas e procurem enxergar nas novas tecnologias uma oportunidade de crescimento. Agreguem valor ao seu negócio. Esse é o caminho que conduz ao sucesso.
Dieter Brandt (Presidente da Heidelberg para a América do Sul)
HSM Online
10/12/2010
Este final de ano foi marcado pelo lançamento, no Brasil, de uma novidade tecnológica ansiosamente aguardada, o iPad. E tenho notado, em meus contatos com os gráficos, a inquietação constante: “poderá a internet e, mais recentemente, o lançamento do iPad, de alguma forma, prejudicar o produto impresso?”
No passado, sempre que uma nova tecnologia era desenvolvida, os pessimistas alardeavam o pior. Foi assim com a chegada da televisão, que iria liquidar o rádio e o cinema - e os dois estão aí, mais fortes e dinâmicos do que nunca. Ambos os veículos souberam se reinventar, trazendo ao público aquele “mais” que torna um produto especialmente atrativo.
No caso do cinema, grandes sucessos de bilheteria sucedem-se temporada após temporada. “Avatar”, lançado no começo deste ano, já arrecadou mais de dois bilhões de dólares. Nada mau para uma mídia destinada a “morrer”... James Cameron soube utilizar a tecnologia, no caso a filmagem em “3D”, para levar aos cinemas multidões de espectadores que se encantaram com a criatividade do diretor.
Nos livros, títulos da série Harry Potter e Crepúsculo vendem milhões de exemplares para um público adolescente que já cresceu em um mundo digital. Prova de que, com criatividade e talento, o consumidor sempre é fisgado e lança-se com prazer ao que sente que acrescenta algo à sua vida.
As novidades, como o caso do iPad, podem até assustar no momento em que são lançadas, pois vêm com todo aparato da mídia mundial. Depois que a poeira baixa, percebemos que são apenas mais um veículo para os leitores, e que, como qualquer produto, encontrará usuários, sem, contudo, ameaçar os setores já existentes.
Outra preocupação pertinente no tocante ao avanço das mídias digitais no campo da informação diz respeito à qualidade dos conteúdos produzidos e armazenados. Megaempresas digitais, como a Apple e o Google, cresceram tanto, e com tantas ramificações, que não seria exagero afirmar que nos tornamos quase reféns desses conglomerados, e que estes podem, se assim o desejarem, manipular as informações de acordo com seus interesses. Outra desvantagem é que, ao consultar sites de busca como o Google e o Yahoo, a informação flui como uma cascata, sem qualquer filtro.
É aí que entra a credibilidade do produto impresso. Ao comprar uma revista ou um jornal, por exemplo, temos a certeza de que ele foi feito por profissionais experientes e preparados. Sabemos, de antemão, que as informações ali reunidas passaram por um crivo que as tornam mais confiáveis. E o consumidor busca sempre isso: credibilidade e confiança.
O que tenho sempre recomendado é que façam o que sempre fizeram – sobretudo aqueles que conseguiram êxito em seus empreendimentos: arregacem as mangas e procurem enxergar nas novas tecnologias uma oportunidade de crescimento. Agreguem valor ao seu negócio. Esse é o caminho que conduz ao sucesso.
Dieter Brandt (Presidente da Heidelberg para a América do Sul)
HSM Online
10/12/2010