sexta-feira, 21 de julho de 2017

Os segredos digitais do Zero Hora

Os segredos digitais do Zero Hora
Campeão do ranking nacional de veículos com maior taxa de interação, feito pela consultoria Torabit, jornal destaca agilidade e presença constante para fazer a diferença.

Desde fevereiro deste ano, o Zero Hora tem sustentado o título de veículo nacional com maior engajamento nas redes sociais, de acordo com rankings mensais da consultoria digital Torabit. Como critério, a pesquisa utiliza a base total de seguidores e fãs dos veículos nas redes sociais de maior popularidade (Facebook, Instagram e Twitter) e a quantidade geral de interações que as páginas possuem, seja em forma de curtidas, comentários ou compartilhamentos.


Segundo Sabrina Passos, gerente de produto digital do Zero Hora, esse bom desempenho nas redes sociais é resultado de um trabalho intenso e de uma estratégia bem definida. “Sabemos que muitos leitores utilizam o feed das redes sociais para se manter atualizados e, por isso, levamos muito a sério esse canal de distribuição A interação, ou seja, a soma de likes, compartilhamentos e comentários, só é alta porque colocamos o usuário no centro das ações. Nas redes, não dá para falar sozinho”, pontua a profissional.
Pelos critérios da consultoria Torabit, em junho de 2017, a o Zero Hora tinha uma taxa de engajamento de 3,32%. O Estadão, segundo colocado na lista, possui taxa média de engajamento de 2,97%. Isoladamente, a rede social que reúne a maior quantidade de interações do Zero Hora é o Intagram, que, sozinho, detém uma taxa de 7,73% – a maior entre os 12 veículos avaliados pela consultoria (confira a tabela completa abaixo).
 Ranking de junho do Torabit (Crédito: Reprodução)



Com 53 anos de história, o veículo do Grupo RBS adotou como prioridade a entrega de conteúdo em todos os canais, o que inclui as redes sociais. A gerente de produto digital revela que a equipe de jornalistas acompanha atentamente o termômetro das redes sociais a fim de definir a melhor forma de entregar os conteúdos. “A dinâmica acelerada das redes sociais exige essa velocidade”, afirma. Em maio deste ano, as estratégias do grupo para a web renderam um prêmio. O Zero Hora recebeu o troféu de Melhor Uso de Redes Sociais no Global Media Awards da International News Media Association (INMA).
Para o Zero Hora, cada uma das principais redes sociais é tratada com estratégias diferentes. “Enquanto no Facebook o foco é engajar o leitor, com mais planejamento na distribuição e foco no share, no Twitter trabalhamos com mais volume”, explica. Para Sabrina, o Instagram – que tem respondido pela melhor performance do Zero Hora – é uma grata surpresa. “Ela (a rede social) não converte audiência em si – com exceção do Stories, onde temos feito alguns testes bem positivos – mas nos garante um canal amigável e de muita troca com os usuários. É nosso canal mais engajado”, confirma.

Instagram é a rede que gera maior engajamento para o veículo (Crédito: reprodução)
Como dica para os veículos ampliarem a interação com o público nas redes sociais, a profissional da RBS destaca a importância de sair da bolha. “É importante acompanhar o comportamento do leitor, o que ele fala sobre a marca, mas também outros assuntos que interessam à marca. Não dá para imaginar que uma grande base de fãs significa jogo vencido. A rede social é um ser vivo, dinâmico e muito temperamental – reflete, portanto, nossa condição humana”, exemplifica a porta-voz.
Além de ampliar a presença da marca, as redes sociais também, têm, dentro do Zero Hora, a função de apoiar as pautas e os assuntos que serão abordados pelos jornalistas. “Conseguimos alertar a redação sobre assuntos com potencial viral, trend topics ou reação do público frente determinada história ou tema”, diz. Essa atenção auxilia o veículo naquela que é considerada a principal tarefa de qualquer marca nas redes sociais: manter-se relevante em meio a um oceano de conteúdo. “Sem engajamento forte, as marcas perdem relevância e, num curto espaço de tempo, desaparecem do universo das redes. Num ambiente superpopuloso como o das redes, desaparecer é fatal. É preciso estar na conversa diariamente para se manter vivo”, indica.
Fonte: Meio & Mensagem


quarta-feira, 19 de abril de 2017

O Uber do jornalismo: informação, automação e revolução
24 de março de 2017


Particularmente, não fiquei apreensivo quando li a notícia sobre o “ Uber ” do jornalismo. Por um motivo: cedo ou tarde, esta realidade, inevitavelmente, iria se impor

A indústria da informação está sendo impactada, neste momento, pela disrupção oriunda das modernas tecnologias, que vêm resignificando o modus operandi jornalístico.
Até aí, novidade alguma.

O dado curioso, porém, é que os dois jornais mais influentes dos Estados Unidos, The New York Times e The Washington Post, entraram de vez na era da automação das notícias. “Ambos têm em sua operação cotidiana softwares que produzem notícias nas áreas de esporte, economia, moda, saúde e outras mais, substituindo a mão de obra humana com maior rapidez e eficiência,” conta Pyr Marcondes, jornalista, autor e consultor.

O tema foi discutido em dois painéis que aconteceram na edição recente do badalado South by Southwest (SXSW), que ocorreu neste ano entre 10 e 19 de março, em Austin, no Texas. “Resumindo o que ambos os debates mostraram: nas redações de mais de 400 publicações hoje ao redor do mundo os softwares disputam lado a lado a posição de jornalistas com os próprios jornalistas. Isso dito por editores de grandes jornais a respeito de suas próprias redações”, explica Marcondes, que marcou presença no SXSW 2017.

O jornalista ficou impressionado com o que viu e ouviu: “o que nos inquieta bastante diante de uma realidade como essa não é só qual será o futuro dos jornalistas, mas qual será o futuro do jornalismo, quando mais e mais máquinas estiverem produzindo as notícias que todos lemos mundo afora”, completa.

Particularmente, não fiquei apreensivo quando li a notícia sobre o “ Uber ” do jornalismo. Por um motivo: cedo ou tarde, esta realidade, inevitavelmente, iria se impor. Aconteceu em outros segmentos profissionais (como no mercado de transportes); por que não iria, também, ocorrer no nosso? A produção de notícias está sofrendo, sim, abalos significativos. E daí? Notícia é commodity – sempre foi. E commodity não requer especialidade.

No entanto – e felizmente, jornalismo não se limita à produção de notícias. Jornalismo é: reportagem, editorial, entrevista, artigo de opinião. É, inclusive, literatura. O que seria de gerações de focas (e profissionais) sem a referência de obras monumentais como as de Gay Talese, Tom Wolfe, Truman Capote e Eliane Brum?

Jornalismo transpõe o lead, as seis perguntas clássicas. Jornalismo é ir além das versões oficiais, verdades aparentes e dos discursos ensaiados. É interpelar autoridades, “otoridades” e não se intimidar diante de ameaças e retaliações. Jornalismo é filtrar press-releases e ler, o tempo todo, nas entrelinhas.

Jornalismo é curiosidade, ceticismo e pensamento crítico; é conhecimento especializado, entendimento generalizado, sede por informação, fome de contradição, e vontade, muita vontade, de contar uma boa história. Jornalismo é gostar de pessoas. Saber escutá-las (não somente ouvi-las) e se importar, verdadeiramente, com os seus dramas.

E tudo isso, até onde sei, os softwares de automação ainda não conseguiram automatizar.
No entanto, sou um árduo defensor da constante adaptação dos profissionais. Jornalismo não deve, necessariamente, ser exercido apenas em jornal (radiofônico, televisivo, e, claro, impresso). O termo espanhol equivalente, periodismo, na minha avaliação, soa muito mais adequado.

No passado longínquo e recente, a informação circulou em paredes de cavernas, peles de animais, papiros, pergaminhos e páginas impressas de papel. Hoje, está disponível em telas de notebooks, smartphones, painéis de led e uma infinidade de outras incríveis plataformas.
A História ensina que devemos nos despir de certezas e explorar o novo (fronteiras, oportunidades e tecnologias). Os profissionais mais relevantes são exatamente aqueles que têm a habilidade de desenvolver novas competências.

Desafie-se. Saia da sua zona de conforto. Não evite o inevitável.

Se reinvente.

Entenda, de uma vez por todas, que é a sua missão é criar e distribuir conteúdos relevantes – independente do canal.


“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente; é o que melhor se adapta às mudanças”, afirmou certa vez, dizem, um brilhante cientista.

Fonte: Comunique-se

terça-feira, 28 de março de 2017

Os desafios da Mídia Impressa

Como é de conhecimento de todos que trabalham na indústria de mídia impressa, essa indústria passa por uma grande crise estrutural, indo no rumo do digital, mas ainda com toda a estrutura, vícios e práticas do mundo impresso. Será uma longa jornada até a outra margem desse rio, e as respostas às dúvidas que se apresentam, ainda não apareceram por completo.

Diversos jornais mundo afora sentem a queda significativa da receita de publicidade e mesmo com o crescimento das assinaturas digitais, a lucratividade da operação diminuiu de forma substancial. Em diversos desses jornais, a receita de circulação (ou mercado leitor, como é chamado atualmente) supera a de publicidade, mas a margem de lucro de toda a operação é bem menor.

Alguns dos principais jornais que estão a frente nessa cruzada, como o New York Times, Wall Street Journal e outros, experimentam bem essa nova realidade, mas ainda há muito rio para atravessar e a correnteza forte da experiência do impresso, às vezes, não ajuda muito viver plenamente essa nova realidade.

O que fazer então? Terminar com o impresso, como vemos acontecer em alguns casos? Investir no digital e deixar o impresso ir morrendo aos poucos? Infelizmente não temos todas as respostas, mas nos permita refletir sobre as possíveis soluções.

A mídia impressa tem como principal trunfo a credibilidade, reconhecida pelos seus leitores. Um jornal, não vende apenas um produto como outro qualquer, que se encerra com o pagamento por parte do cliente pelo que é comprado, ou seja, uma simples transação comercial. A defesa da democracia, a prestação de serviços à comunidade, bem como a oferta de informação de interesse geral, traz embutido valores, que os leitores apreciam e precisam valorizar cada vez mais.

O jornal precisa então defender e explorar esse elo de ligação com seus leitores, para que a base de clientes não se acabe aos poucos, ainda mais, se considerarmos que o leitor típico do impresso, tem idade superior a 40 anos. Justamente o grande desafio é trazer os mais jovens para dentro do barco, principalmente através do conteúdo digital, já que a grande maioria não faz parte dos leitores do impresso e o digital pode ser melhor formatado aos interesses e hábitos desse novo público.

Uma das maneiras de estreitar os laços com os leitores, é conhecer seus desejos, hábitos e opiniões, seja através de pesquisas esporádicas ou formatadas para o levantamento contínuo através dos pontos de contato do jornal com seus leitores. Através desse conhecimento aprofundado, o jornal tem como agregar maior valor ao relacionamento, respondendo sempre de acordo com as necessidades de seu público, na plataforma que for mais apropriada para o contato em cada ocasião.

Na era da mídia programática, onde os anunciantes se utilizam de ferramentas de marketing automatizadas para atingir seu público, quanto mais qualificada a base de leitores, maior será a resposta para o mercado anunciante.

Em excelente artigo de Matías M. Molina no jornal Valor Econômico de 3 de março de 2017, o autor fala da armadilha do conteúdo, ou seja, o foco simplesmente em conteúdo como forma de garantir sucesso no mundo da internet, que devido ao extraordinário aumento da oferta de conteúdo, a qualidade seria o diferencial, já que o conteúdo atraia o leitor ou espectador, que por sua vez atraía o anunciante; na internet não seria diferente. É o conceito de “Content is King”, citado por Bill Gates em 1996, apesar desse conceito existir desde a década de 70.

Mais recentemente, um professor de Harvard, Bharat Anand, disse o contrário: “o conteúdo é uma armadilha e pode ser uma maldição. A obsessão com o conteúdo pode levar ao fracasso. Concentrar-se no produto sem dar atenção ao usuário, é um erro fatal. O importante, diz ele em seu livro “The Content Trap”, são as conexões: a conexão da mídia com o usuário, a conexão entre usuários, as conexões entre produtos.”

O artigo apresenta ainda exemplos dessa estratégia adotada por alguns grupos de mídia estrangeiros, que merecem ser analisados com atenção.

Pelo visto, a frase certa deveria ser “Customer is King”, ou seja, todo o foco deveria ser no cliente. Que tal começarmos a conhece-lo melhor?