O “espetáculo do crescimento” previsto pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, aconteceu, de fato, apenas em 2010. Os dois grandes eventos do ano – Copa do Mundo e Eleições – atraíram audiência e aumento do faturamento publicitário. Mas não para todos os meios. Para os jornais, a Copa deixou um saldo negativo. Evento nativo da televisão, a Copa do Mundo gerou receita extraordinária para a TV e alto investimento e baixo retorno para os jornais. As verbas governamentais, por conta do ano eleitoral, escassearam.
Para este ano, entretanto, com a administração Dilma Rousseff, a palavra da vez é “rigor”. As últimas medidas de contenção de crédito adotadas no final do governo Lula devem ter reflexos para a mídia e os executivos esperam um ano bom. Mas não espetacular como 2010. Em mesa-redonda realizada pelo Meio & Mensagem, representantes dos vários segmentos debateram o futuro da mídia e os mais diversos modelos do setor que transitam entre a mídia tradicional, off-line, e o novo mundo online.
Participaram do encontro Fábio Coelho, presidente do iG (e também presidente do IAB Brasil); Rubens Campos, diretor geral do Sistema Globo de Rádio; Caco Alzugaray, presidente executivo da Editora Três; Flávio Pestana, diretor geral e CEO da Rede Bom Dia/Diário de S. Paulo; Alberto Niccoli Jr., vice-presidente sênior e gerente geral da Sony Pictures Television no Brasil; e Martha Cajado, diretora de marketing da TV Bandeirantes.
“O desafio da indústria da internet no Brasil é permitir que esse ecossistema cresça de uma maneira saudável através da valorização do meio”, disse Fábio Coelho. Para Rubens Campos, “o desafio é produzir conteúdo de qualidade nas mais diversas formas possíveis e ancorar o crescimento do negócio na força da marca, na credibilidade e no prestígio.”
Segundo Flávio Pestana, “cada grupo social terá um comportamento diferente para a adoção de novos meios, como o tablet. Será numa velocidade diferente. Os jornais populares demorarão muito mais para fazer essa migração, até mesmo por conta do poder aquisitivo, pela cultura e pelo hábito.”
“Para nós, está cada vez mais claro que vão se perpetuar as marcas, independentemente das plataformas. As marcas, no mundo inteiro, têm se mostrado muito fortes”, afirma Caco Azulgaray. Diz Martha Cajado que “o desafio é sustentar o nível de consumo do nosso conteúdo. Temos que olhar o público jovem porque é o público que mais consome as diferentes plataformas e acho que a TV digital é uma grande alavanca para levar esse conteúdo para as pessoas.”
Na opinião de Alberto Niccoli Jr., “sem sombra de dúvida, em termos de mercado publicitário, temos que ficar felizes porque o nosso mercado cresce. Isso é a coisa mais importante. Depois, vamos brigar no dia-a-dia pela nossa fatia. São questões que fazem parte do nosso negócio.” A íntegra da mesa-redonda está na edição 1441 de Meio & Mensagem, com data de 10 de janeiro de 2011.
Fonte: M&M Online
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